sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Estatua

Cancei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, - frio escalpello, -
O meu olhar quebrei, a debatel-o,
Como a onda na crista d’um rochedo.

Segredo d’essa alma, e meu degredo
E minha obcessão! Para bebel-o,
Fui teu lábio oscular, n’um pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu osculo ardente, hallucinado,
Esfriou sobre o mármore correcto
D’esse entreaberto labio gelado…

D’esse lábio de mármore, discreto,
Severo como um tumulo fechado,Sereno como um pelago quieto.


Camilo Pessanha

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